De Pioneiro do Rastreamento à Inovação Pública: As Lições de Liderança de Christophe Laguna
No videocast "STEG Talks", o empreendedor relembra os desafios de inovar na tecnologia nos anos 2000 e revela como a liberdade criativa e a inteligência artificial estão transformando a gestão de gigantes como a Copasa.
Por Gustavo Costa·há 1 dia
No mais recente episódio do videocast "STEG Talks", o apresentador Eugênio recebeu o empreendedor e executivo Christophe Laguna para um debate profundo sobre tecnologia, resiliência e inovação corporativa. Com uma trajetória que começou cedo, Laguna brincou que sua primeira tentativa de negócio foi vender pão de queijo na confecção do pai aos 6 anos, uma experiência que, apesar de falha, já lhe ensinou sobre os processos de uma cadeia de produção. No entanto, sua verdadeira marca no mercado se deu no ano 2000, quando, aos 18 anos, utilizou o dinheiro do refinanciamento do carro da irmã para fundar a Virtual SAT, uma empresa pioneira em rastreamento de veículos no Brasil.
Os desafios tecnológicos daquela época eram colossais. Laguna relembrou que, no início dos anos 2000, o país ainda dependia de redes de telefonia rudimentares (analógicas e TDMA), fazendo com que a transmissão de dados fosse um processo extremamente complexo e demorado. Enfrentando as dores do pioneirismo, ele arregaçou as mangas e desenvolveu soluções do zero: criou um "sensor de lacre" para evitar que motoristas roubassem os equipamentos dos painéis dos caminhões e chegou a desenvolver sensores de portas com cabos de 30 metros para controlar rotas de ônibus no Maranhão. Com essas inovações, sua empresa deixou de ser vista apenas como segurança para se tornar uma referência em logística e telemetria.
Quando o assunto é gestão de pessoas, a filosofia do empresário é fundamentada na liberdade e na quebra do ego. Laguna defende que um líder jamais deve ser temido pela sua equipe e que é vital deixar os colaboradores cometerem seus próprios erros em ambientes controlados, pois só assim ganham confiança e maturidade. Ele categoriza os profissionais pela junção de atitude e técnica, e faz um alerta severo aos gestores: o funcionário que não possui atitude e não tem capacidade técnica geralmente recorre à fofoca para tentar se inserir no grupo, um comportamento tóxico que destrói a cultura da empresa e deve ser sumariamente cortado.
Atualmente ocupando cargo de alta gestão na Copasa, Laguna tem a missão de aplicar sua veia tecnológica no setor público. Ele destacou que a companhia precisa ser ágil e se modernizar para não ser engolida pela concorrência gerada pelo novo marco do saneamento. Através da forte implementação de telemetria, análise de dados e inteligência artificial, o executivo foca em monitorar a rede para reduzir perdas e vazamentos silenciosos, estratégia que se provou vital recentemente, quando o estado de Minas Gerais enfrentou 150 dias de seca severa sem que houvesse falta de água generalizada nas torneiras.
Para os jovens empreendedores e líderes de startups, Laguna deixa a lição de que não existe "sucesso da noite pro dia". O que as pessoas chamam de sorte é, na verdade, o resultado de anos de trabalho árduo, como a década em que ele praticamente dormiu dentro da própria empresa. Como recado final, ele enfatiza a importância de nunca parar de estudar — tendo ele mesmo voltado à faculdade aos 30 anos para aprender desenvolvimento de software — e de ter a coragem de abraçar o desconhecido, provando que a resiliência é o que realmente separa quem constrói de quem desiste.
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