Um novo levantamento divulgado pela Rede EJA e Inclusão Produtiva revelou que 64 milhões de brasileiros com 15 anos ou mais não completaram o ensino básico. O estudo, que faz parte de uma coalizão de 16 organizações, visa mapear a situação da Educação de Jovens e Adultos (EJA) e promover políticas de educação inclusiva no país.

Queda na demanda pela EJA

O relatório intitulado "População de 15+ fora da escola, demanda potencial por EJA e transições para o trabalho" mostra que, apesar da diminuição desse número nos últimos anos, a situação ainda é preocupante. A redução observada não é necessariamente atribuída a políticas públicas mais eficazes, mas sim ao aumento da mortalidade entre pessoas sem escolaridade.

Desigualdade regional na escolaridade

O estudo também aponta que a distribuição da população fora da escola é desigual entre as regiões do Brasil. Estados do Norte e Nordeste são os mais afetados, onde mais da metade da população nessa faixa etária não concluiu a educação básica. Essa baixa escolaridade gera consequências diretas no mercado de trabalho.

Impactos no mercado de trabalho

Os dados indicam que apenas 43,1% das pessoas que não finalizaram o ensino fundamental estão inseridas no mercado de trabalho, em comparação a 73,5% entre aqueles que completaram o ensino médio. Essa disparidade evidencia como a escolaridade influencia na vulnerabilidade socioeconômica da população.

Consequências econômicas

Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD) do IBGE, se essa população tivesse concluído sua formação, poderia gerar R$ 66 bilhões a mais em rendimentos anuais, representando cerca de 0,6% do PIB brasileiro. Esse aumento se deve tanto à melhoria na renda de quem já está empregado quanto à entrada de novos trabalhadores qualificados no mercado.

Programas de incentivo e redução da evasão escolar

Dados do Censo Escolar de 2025 mostram que as taxas de evasão no Ensino Médio tiveram uma queda significativa, atingindo 2,5% em escolas públicas, a menor marca desde 2007. A implementação do programa Pé-de-Meia em 2024, que oferece bolsas para estudantes do ensino médio, contribuiu para essa redução, com uma queda de 34% na evasão desde seu início.

Em 2024, 92,1% dos jovens entre 15 e 17 anos estavam matriculados em instituições de ensino, embora apenas 82,2% estivessem no ensino médio. A discrepância indica que muitos alunos abandonaram os estudos anteriormente, refletindo uma alta taxa de distorção idade-série, que caiu de 24,3% para 17,6% entre 2022 e 2025. O programa também prevê incentivos financeiros para estudantes que participam do Enem, ampliando o acesso à educação.