Francinalda Conceição da Costa, mãe de três filhos diagnosticados com Transtorno do Espectro Autista (TEA), expressa sua apreensão em relação ao futuro de seus filhos após mudanças no Centro de Acolhimento ao Autista (Teamarr), mantido pela Assembleia Legislativa de Roraima (Ale-RR). A unidade foi esvaziada recentemente, levando à retirada de materiais e a reestruturação dos profissionais que atendem os pacientes.

Incertezas sobre o atendimento

A sede do Teamarr foi desativada em uma ação que ocorreu na última segunda-feira, 7, sob a direção do presidente da Ale-RR, Jorge Everton. Essa mudança se deu logo após a exoneração de servidores comissionados, o que deixou Francinalda e outras famílias em um estado de incerteza sobre o futuro dos atendimentos, programados para recomeçar no dia 27.

Francinalda é mãe de Carlos Eduardo, 18 anos; Luiz Expedito, 10; e Benjamin Costa, 5. Desde 2021, quando o projeto ainda era chamado de 'Sala Azul', os filhos dela recebem atendimentos regulares que têm sido cruciais para seu desenvolvimento. "Cada avanço foi construído lentamente, e agora temo que tudo isso se desfaça", lamenta.

Críticas à mudança e declarações capacitistas

A mãe participou de uma manifestação em frente à Assembleia e criticou uma declaração da superintendente de Programas Especiais da Ale-RR, Marília Pinto, que se referiu ao autismo como um "problema", o que Francinalda considerou capacitista. "Uma pessoa que não conhece o autismo não deveria fazer esse tipo de afirmação", destacou, enfatizando a importância de uma abordagem respeitosa e informada sobre a condição.

A Ale-RR, por sua vez, informou que não houve intenção de ser desrespeitosa e lamentou se a fala gerou desconforto. A instituição ressaltou que o respeito às pessoas com TEA é um princípio fundamental em suas ações.

Preocupações com a troca de profissionais

A troca de profissionais também preocupa Francinalda, que destaca a importância de uma equipe capacitada para lidar com as especificidades do autismo. "Não se trata apenas de ter profissionais, mas de garantir que eles tenham as habilidades necessárias para um atendimento adequado", afirmou.

Além disso, ela expressou temor sobre possíveis represálias por sua participação nas manifestações, refletindo uma preocupação que muitas famílias compartilham em relação ao acesso aos atendimentos. Atualmente, aproximadamente 750 famílias recebem assistência gratuita pelo Teamarr, beneficiando mais de mil crianças e adolescentes em Roraima, com terapias e acompanhamento contínuo.

Programas de apoio às famílias

O Teamarr, criado em 2022, oferece terapias e acompanhamento contínuo para pessoas com TEA, utilizando metodologias como a Análise do Comportamento Aplicada (ABA). Essa abordagem visa desenvolver habilidades sociais e de comunicação, promovendo a autonomia das crianças atendidas. O futuro do programa, no entanto, permanece incerto com as recentes mudanças.