No Vale do Mucuri, em Minas Gerais, a plantação de pimenta-do-reino ganha força entre pequenos produtores rurais. Apesar de não ser uma cultura tradicional na região, o clima favorável e as iniciativas de incentivo têm levado os agricultores a diversificarem suas lavouras, ampliando suas fontes de renda.
O pioneirismo de Saalah Gazel
Um dos protagonistas dessa mudança é Saalah Gazel, que iniciou o cultivo da pimenta-do-reino em Ataléia há dez anos. Gazel participou de um programa da Emater-MG e, após perceber as vantagens da cultura, decidiu investir. Ele relata que o preço da saca de 50 quilos da especiaria pode chegar a R$ 1.500, superando o do café conilon produzido na mesma propriedade.
Investimento e manejo eficientes
O produtor estima que o investimento inicial para uma lavoura de pimenta-do-reino gire em torno de R$ 80 mil por hectare, cobrindo necessidades como estacas, mudas e sistema de irrigação. O cultivo exige apenas manutenções simples após o plantio, e a irrigação é feita de forma eficiente, permitindo que Gazel cuide de seus 12 hectares em pouco tempo.
Colheita e produtividade
A colheita da pimenta-do-reino ocorre duas vezes ao ano, com uma produtividade média de cinco toneladas por hectare. Gazel destaca que a colheita é feita de forma manual, o que requer a contratação de 20 a 30 pessoas, mas que pequenos agricultores podem contar com a ajuda da família. O método de estresse hídrico também é utilizado para garantir a maturação simultânea dos frutos.
Estrutura e mercado
O processo de secagem da pimenta-do-reino é realizado em um secador que pode processar até 2.200 quilos por vez, embora produtores menores possam optar por métodos mais simples. A produção é majoritariamente destinada ao mercado internacional, com cerca de 90% da colheita exportada. Gazel também recebe suporte da prefeitura local, que oferece mudas e assistência técnica.
O crescimento de Dionísia Jardim
Outro exemplo de sucesso é Dionísia Jardim Amaral, que iniciou seu cultivo de pimenta-do-reino em 2023, buscando aumentar a rentabilidade de suas terras. Com um investimento de R$ 600 mil e apoio da Emater-MG, ela plantou sete hectares, utilizando técnicas modernas de irrigação e adubação. O objetivo de Dionísia é colher 10 mil quilos de pimenta na sua terceira safra, o que pode resultar em uma receita de R$ 280 mil.




