O fenômeno climático El Niño, que se caracteriza pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico, está gerando preocupações entre os produtores agrícolas do Brasil. Com a previsão de que o evento ocorra entre novembro e janeiro, as alterações climáticas podem impactar seriamente a produção de alimentos e, consequentemente, elevar os preços.

Impactos nas Culturas

Leandro Gilio, pesquisador no Insper Agro Global, afirma que é praticamente inevitável que o El Niño afete os preços dos alimentos, especialmente se comprometer as janelas de plantio ou a colheita. Os primeiros efeitos já devem ser percebidos nas hortaliças, que são mais sensíveis às variações climáticas.

Entre as culturas mais ameaçadas estão o milho, café, frutas, laranja, cana-de-açúcar, trigo e arroz. Além disso, a pecuária no Centro-Oeste e Norte poderá enfrentar problemas devido à escassez de água para as pastagens, conforme dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

Cenário do Café

O café, principal produto de exportação de Varginha, pode sofrer severas consequências. A irregularidade das chuvas e temperaturas elevadas podem afetar a qualidade do café arábica, que é o mais cultivado no Brasil. A previsão é de uma possível perda de até 25% na produção de 2027, o que preocupa os produtores que esperavam uma safra recorde.

Consequências para o Milho e Carne

A produtividade global de milho tende a cair em anos de El Niño, com uma redução média de 4%. No Brasil, o impacto é mais notável na segunda safra, já que chuvas irregulares atrasam o plantio da soja. O aumento no preço do milho pode influenciar o custo da carne, uma vez que este grão é essencial na ração animal.

Frutas e Hortaliças em Risco

As frutas e hortaliças também enfrentam riscos, especialmente no Sul, onde chuvas intensas podem causar podridões e perdas de qualidade. Culturas como cebola, batata e tomate estão entre as mais afetadas. Enquanto isso, o calor excessivo no cinturão citrícola paulista pode prejudicar a florada da laranja, contribuindo para uma redução na safra.

Previsão de Inflação

Por conta do El Niño, o Ministério da Fazenda deve revisar para cima sua previsão de inflação para 2026, que anteriormente era de 4,5%. A expectativa é que os preços dos alimentos subam mais do que o antecipado, afetando o consumo e a economia como um todo.