Brumadinho, localizada a poucos quilômetros de Belo Horizonte, é um destino que vai muito além de seu famoso cartão-postal, o Instituto Inhotim. A cidade revela uma hospitalidade cultivada por seus habitantes, que combinam saberes ancestrais, gastronomia e experiências compartilhadas, criando um ambiente acolhedor e rico em histórias.

Uma chegada atenta

Ao descer a Serra da Moeda, a névoa que envolve a paisagem sugere que Brumadinho é um lugar para ser explorado com calma. Este território é marcado por uma história de dor e resiliência, mas também por um forte senso de comunidade que está reimaginando o turismo através de iniciativas sustentáveis e criativas. Desde 2019, o crescimento de empreendimentos locais tem sido impulsionado por um turismo que se preocupa com a permanência e a valorização dos saberes locais.

Córrego do Feijão e a força da comunidade

A primeira parada dessa jornada foi a comunidade de Córrego do Feijão, marcada pela tragédia de 2019, mas que hoje se destaca pela força de seus habitantes. No Centro de Cultura Laudelina Marcondes e na cozinha-escola do Mercado Central Ipê-Amarelo, as experiências são moldadas por jardins e aromas que reconstroem vínculos e promovem a autonomia através do trabalho e da criatividade.

A gastronomia como acolhimento

Em Brumadinho, a comida vai além de uma simples refeição; é uma experiência de acolhimento. Em lugares como o Rancho do Peixe, os pratos são preparados com carinho e receitas familiares, onde a hospitalidade é o ingrediente principal. O mesmo sentimento foi encontrado na Casa Art&Grano, onde um café da tarde se transformou em um momento de conexão e contemplação, cercado pela beleza das montanhas.

Conexões com a natureza

As experiências em Brumadinho também incluem momentos de introspecção e conexão com a natureza. No Espaço Viverde, práticas como yoga e trilhas proporcionam uma pausa necessária para o autoconhecimento. A proposta é reconectar os visitantes com o que é essencial, mostrando que a natureza é parte integrante da vivência, não apenas um cenário.

História e cultura

O roteiro ainda incluiu uma rica narrativa histórica guiada por Cida pelo Centro Histórico de Piedade do Paraopeba, onde a Igreja de Nossa Senhora da Piedade e outras construções marcam a resistência e a identidade da comunidade. Essas histórias de fé e transformação espiritual estão entrelaçadas com a riqueza material da região, que foi um importante ponto de extração de ouro no passado.

Um pôr do sol memorável

A jornada culminou no Ateliê Eny Amorim, onde a vivência de queima de Raku proporcionou um momento de transformação e conexão com a arte. O pôr do sol, com suas cores intensas, simbolizou a experiência vivida nos dois dias — um lembrete da força da comunidade, da gastronomia, da natureza e da arte como caminhos para um recomeço.