Nos primeiros cinco meses de 2023, o Sul de Minas registrou quase 10 mil casos de violência contra mulheres, conforme dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp). Este levantamento revela não apenas a gravidade da situação, mas também a persistência desse tipo de crime na região, que se torna um dos principais desafios para a segurança pública em Minas Gerais.

Estatísticas alarmantes

No estado de Minas Gerais, foram contabilizados 161.912 casos de violência contra mulheres em 2025, um número que supera o do ano anterior. Somente no Sul, as ocorrências totalizam 22.551, representando 13,9% dos registros estaduais. Esses dados enfatizam a necessidade de ações integradas para prevenir e combater a violência doméstica e familiar.

Histórias por trás dos números

A realidade enfrentada por muitas mulheres é ilustrada pelo relato de Elen Oliveira, que sobreviveu a um grave episódio de agressão em 14 de junho deste ano. Ela foi mantida em cárcere privado e agredida por aproximadamente 12 horas por seu ex-companheiro. Elen descreve a experiência aterradora de ser sequestrada e agredida dentro de sua própria casa, uma situação que reflete o medo e a vulnerabilidade enfrentados por tantas mulheres.

Fatores que perpetuam a violência

Especialistas ressaltam que discursos misóginos e comportamentos abusivos, muitas vezes exacerbados nas redes sociais, são elementos que contribuem para a continuidade da violência contra a mulher. O psicólogo Janilton Gabriel de Souza destaca que o ciúme excessivo é um gatilho que pode levar a relacionamentos marcados pelo controle e pela violência.

Redes de apoio e prevenção

Minas Gerais possui 70 Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher, além de Patrulhas de Prevenção à Violência Doméstica que oferecem suporte às vítimas em situação de risco. O Poder Judiciário também desempenha um papel crucial, ao conceder medidas protetivas de urgência que visam interromper o ciclo de violência.

A importância da denúncia

A advogada Lorraine Portugal enfatiza que as mulheres devem procurar ajuda assim que sofrerem qualquer tipo de agressão. Segundo ela, o descumprimento de uma medida protetiva equivale a um crime, possibilitando que as forças de segurança atuem para penalizar os agressores. Além disso, é fundamental que as vítimas se sintam apoiadas por programas de acolhimento e fortalecimento.

Uma mensagem de esperança

Elen, mesmo após as marcas deixadas pelas agressões, decidiu usar sua experiência para incentivar outras mulheres a romperem o silêncio. Ela afirma: "Você não está sozinha. A culpa nunca é da vítima. Denunciar é difícil, mas o silêncio pode custar a vida." Sua coragem serve como um lembrete de que existe saída e que a luta contra a violência deve continuar.