A 32ª Vaquejada Nacional de Miravânia, programada para acontecer entre os dias 9 e 12 de julho, está sob risco de suspensão após o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) ajuizar uma Ação Civil Pública contra o evento. Com um investimento estimado em R$ 1,67 milhão, o MPMG considera os gastos "flagrantemente desproporcionais" à realidade financeira do município, que conta com aproximadamente 3.985 habitantes, de acordo com o censo de 2022 do IBGE.
Desproporcionalidade e precariedade
A promotoria, que atua pela 2ª Promotoria de Justiça de Manga, destaca que o valor destinado à festa supera o orçamento anual para a assistência social local. O inquérito civil instaurado revelou que os gastos com shows e estruturas temporárias ocorrem em um contexto de precariedade nos serviços essenciais, como saúde e infraestrutura.
Atrações do evento
Entre as principais atrações da vaquejada está a cantora cearense Mari Fernandez, conhecida por sucessos como "Não, não vou" e que possui mais de 7 milhões de ouvintes mensais no Spotify. Outras atrações incluem a banda Caninana do Forró e a dupla Althaír e Alexandre, prometendo um evento com grande apelo popular.
Possíveis desvios de recursos
O MPMG também levanta a possibilidade de desvio de recursos de fundos específicos voltados para o patrimônio cultural e turismo, o que evidencia a preocupação com a transparência do uso do dinheiro público. O promotor de Justiça Lucas Eduardo de Lara Ataide ressaltou que a questão vai além dos interesses dos gestores municipais, impactando diretamente a coletividade que depende dos serviços públicos financiados pelo orçamento local.
Defesa do evento
O deputado estadual Ricardo Campos (PT) enviou R$ 200 mil ao município como emenda, designada para "apoio a evento agropecuário". Em resposta ao questionamento sobre a ação do MP, o deputado afirmou que muitas vezes o Ministério Público age de forma exagerada e defendeu a realização da vaquejada como um importante fomento à cultura local. Segundo Campos, o evento é uma oportunidade para que cidadãos de baixa renda possam ter acesso a shows de qualidade.
Aguarda decisão judicial
A reportagem também entrou em contato com o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) para saber sobre a previsão de análise da ação, visto que o evento se inicia em breve. Até o momento, não houve retorno, mas a atualização será feita assim que houver uma resposta.



